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Com fragmentos de carta de Raul Seixas para ex-mulher, Sandrera lança videoclipe de “Querida Kika”
Por João Depoli

“Hoje mamãe e eu acordamos emocionadas não só com a música, mas com clipe do músico Sandrera, que deu vida a uma carta que meu pai escreveu pra minha mãe quando já estavam separados,” publicou a filha do gigante Raul Seixas, Vivi, sobre “Querida Kika”—nova música do cantor e compositor capixaba Sandrera.

Com um arranjo composto pelo músico, a canção utiliza o texto da carta enviada por Raul à sua ex-mulher em janeiro de 1989 (poucos meses antes da morte do cantor). “Minha singela homenagem, mas de coração. Está ai o resultado do meu encontro com a carta,” comenta Sandrera sobre o videoclipe oficial da canção que lançou na noite de ontem (23).

O registro é o resultado de um trabalho que teve início ainda em 2014, quando o músico se deparou com a carta pela primeira vez. “Uma avalanche de sentimentos desmoronou em mim naquele momento. Saudades, choro, questionamentos, despencaram em mim, pois muito do que o Raul escreveu na carta, era o que eu sentia naquele momento,” desabafa Sandrera sobre o que lhe ocorreu durante a leitura daquele melancólico e comovente texto.

“Confesso: chorei de saudades suas hoje, ao ouvir as fitas de Elvis que você me mandou. A minha solidão aqui ultimamente tem sido dolorosa, mas que jeito? Eu desejava estar com você e nossa filha”
Com seu violão em mãos, o músico garante que arriscou um acorde e sua decisão se provou certeira: a música rapidamente estava pronta. “Era como se a canção [estivesse] ali na carta esse tempo todo e eu a enxerguei chorando um pouquinho,” comenta. Depois disso, ele só precisava entrar em contato com Kika e sua filha, Vivi—e foi isso que ele fez.

“Levei um tempo, tomei coragem e entrei em contato com a Vivi pelo Facebook. Entrei em estúdio com meu compadre Ded Bonfim, que produziu e fez uma [guitarra] linda para a canção,” lembra. “Numa tarde, em conversa com o Ademir Ribeiro e a Moustache Produção Artística, combinamos um [videoclipe], e em uma visita ao Did Art, decidimos filmar tudo em sua casa.”

Assista abaixo ao resultado desses últimos quatro anos de trabalho.

Atenção Galera de Sampa Rock and Roll City!
No próximo sábado, 20 de outubro de 2018, vai rolar uma mega festa em homenagem a Raul Seixas com Dylan Seixas & Putos BRothers Band e o performer ArySeixista. I M P E R D Í V E L !

A Correta Park Eventos
R. Capitão Rubens, 598
Parque Edu Chaves
São Paulo – SP

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1998725683507823/

Raul Seixas: Sylvio Passos guarda com carinho primeiro violão do músico

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Raul Seixas foi o artista homenageado pelo evento Mar de Culturas, da Globo, em 23 de agosto na Fundição Progresso, no Rio.

No espaço da Fundição Progresso, na região central do Rio, rolou um bate-papo sobre o legado deixado pelo cantor e compositor. Mediado pelo jornalista e apresentador Guilherme Guedes contar com a presença de Kika Seixas, produtora e ex-mulher de Raul Seixas, do escritor, músico, compositor e fundador do fã clube oficial do artista, Sylvio Passos, e Toninho Buda, amigo de Raul e estudioso de temas esotéricos, religiosos e polítocos na obra do Maluco Beleza.

A participação musical ficou por conta de Rick Ferreira, guitarrista considerado “fiel escudeiro” de Raul Seixas, que fez um show tributo interpretando os sucessos “Quando acabar o maluco sou eu”, “Gita”, “Carpinteiro do universo”, “Ouro de tolo”, “Sociedade alternativa” e “Maluco beleza”.

Mar de Culturas: homenagem a Raul Seixas na Fundição Progresso
Bate-papo contou com a participação de Guilherme Guedes, Kika Seixas, Sylvio Passos, Rick Ferreira e Toninho Buda.
https://globoplay.globo.com/v/7029692/
Rede Globo – Homenagem a Raul Seixas – Mar de Culturas – Fundição Progresso, Rio


Muitas facetas de um maluco beleza

Desejo de ex-mulher é combater mentiras sobre o músico.

Um maluco beleza, uma metamorfose ambulante, um magro abusado e, algumas vezes, um vampiro doidão. Considerado por muitos o maior nome do rock brasileiro, Raul Seixas terá a vida contada na obra Raul Seixas em Branco e Preto. Escrito pelo professor João Renha, do Departamento de Comunicação Social, e produzido pela ex-mulher e detentora de grande parte dos bens de Raul, Kika Seixas, a obra pretende retratar quem era o roqueiro, e mostrar a diferença entre o que ele era no palco e o que era na intimidade.

A ideia do livro surgiu de Kika, que afirmou estar inconformada com biografias e trabalhos sobre a vida de Raul que, segundo ela, continham mentiras e histórias que não ocorreram. Conforme Kika, todos tinham informações falsas ou distorcidas para “aproveitar” a imagem do artista como uma forma de vender.

– Foram lançadas pelo menos umas 30 biografias sobre ele, e sem o menor embasamento. Às vezes eram feitas por fãs bem intencionados, às vezes interpretando músicas de forma que ele, o fã, entendia. Ou eram escritas por alguém que tinha conhecido o Raul com um pouco mais de intimidade, pessoas que tinham trabalhado em um ou dois shows com ele, e consideram isso como suficiente para escrever sobre ele. Vi tanta coisa ruim, os níveis eram de qualidades baixíssimas – conta.

Após conhecer João Renha no lançamento do livro A propaganda brasileira depois de Washington Olivetto, biografia do publicitário escrita pelo professor, Kika decidiu convidá-lo para escrever sobre a vida de Raul. Renha afirmou ter ficado honrado com o convite, e que é gratificante poder relatar fatos nunca antes contados sobre o compositor.

– É como se pedisse para escrever a biografia de John Lennon, e a Yoko Ono estivesse se propondo a contar a história. Fico feliz vendo que a Kika vai me contar coisas sobre Raul nunca antes reveladas. Na verdade, foram escritos diversos livros sobre a vida do Raul, e eu vejo que tem muito folclore. Estamos nos preocupando em escrever algo fundamentado – explica Renha.

Segundo Kika, em grande parte das biografias, o uso de drogas e o lado boêmio de Raul são abordados com muito mais ênfase do que a vida pessoal do artista. Ela pretende guiar João Renha para que ele escreva uma obra que relembre tanto o lado das loucuras de Raul, mas também conte outras histórias, de como algumas músicas foram compostas, por exemplo.

– Quero mostrar para o Renha coisas, como: de onde surgiu a música Trem das sete? Ela, na realidade, surgiu da música Caju Mecânico. Isso é muito mais interessante do que criar uma história, não acha? Falar além do óbvio, falar o que todo mundo sabe. Algumas pessoas tentam criar o próprio Raul, mas não enxergam quem ele era mesmo – conta a produtora.

A ideia do nome do livro, Raul Seixas em Branco e Preto, não é por acaso. Kika explica que a biografia é chamada assim porque é um pedido do roqueiro.

– Nós estávamos pensando em chamar o livro de Raul Seixal em preto e branco, porque Raul era louco por preto e branco. Daí, eu encontrei um documento escrito por Raul, no qual ele diz que queria que seu livro fosse chamado de Raul Seixas em Branco e Preto. Liguei para o Renha e enviei o documento com a letrinha do Raul.

O livro está sendo produzido há um ano, mas ainda não há previsão de lançamento. Renha acredita que a biografia esteja pronta em um ano, porém Kika acha que o processo pode demorar um pouco mais por causa da reunião de todo o material.

A produtora quer apresentar ao professor pessoas e figuras famosas que conviveram com o roqueiro, tanto nos palcos como na intimidade. Renha conta que pretende apurar em todos os tipos de fontes.

– Também estamos procurando entrevistar muita gente. Queremos falar com, por exemplo, Moraes Moreira, vamos falar com Gilberto Gil, Paulo Coelho , Caetano Veloso, Arnaldo Brandão, entre outros, e já conversamos com o guitarrista dele, Rick Ferreira. Queremos entrevistar o máximo de fontes possíveis, e consultar o maior número de fontes possíveis, não só com fontes impressas, mas também como artigos informações na internet – explica.

Renha e Kika consideram que Raul simboliza mais do que um grande nome no cenário da música brasileira, e que o roqueiro acreditava que podia mudar o mundo. Tanto assim, que eles descobriram uma série de grupos e movimentos inspirados pelo compositor. Como um bloco de carnaval chamado de Os Rauls, cujos integrantes saem fantasiados de Raul Seixas. Kika lembra ainda de um fã do compositor que criou um serviço para dependentes químicos.

– É um cara que faz cover do Raul e inventou um serviço fantástico. Ele estava doidão num show em que Raul Seixas tocava um pouco alcoolizado e disse para si que não queria mais aquilo. Ele parou de beber e criou um programa chamado S.O.S Raul, que ajuda pessoas com problemas com drogas e álcool. Há pessoas que pensam que Raul era só drogas e álcool, e não é. Ele é a desintoxicação – comenta Renha.

Kika afirma que pretende não esconder nada, nem os principais problemas com o alcoolismo e drogas, nem deixar de fora os momentos mais emocionantes. Ela quer um livro que aborde os piores e melhores momentos do cantor.

– Quero colocar no livro as músicas e discos que compusemos juntos, trazer também o lado engraçado do Raul. Quando ele não estava seríssimo, compondo músicas, ele ficava fazendo piadas com todo mundo, inventava brincadeiras com a nossa filha Vivi, quando ela era nova. Quero contar algumas músicas que eu presenciei ele compondo. Sempre me chama atenção ver como um artista compõe sua música, o que vem na cabeça para escrever determinadas letras.

Fonte: Jornal da PUC – RJ

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